Monday, November 17, 2008

Gianni Schicchi, de Puccini (legendas - português)

Florença. 1º de dezembro de 1299
Quarto de Buoso Donati.

Pobre Buoso!

Pobre primo!

Pobre tio!

Oh, Buoso! Buoso!

Oh, cunhado! Oh, cunha...

Eu o chorarei por dias e dias

Xô!

Dias? Por meses!

Xô!

Meses? Por anos e anos.

Vou chorá-lo a minha vida toda!

Pobre Buoso!

Leve-o embora Gheraldo! Vamos!

Oh, Buoso, Buoso por toda a vida...

Choraremos a sua partida.

- Choraremos... toda a vida!
- Oh! Buoso! Buoso!

Mas como? Verdade?

Comentam em Signa!

O que dizem em Signa?

Comenta-se que...

O que?!

Dizem-no em Signa!

O que dizem em Signa?

Comenta-se que...

Não?!

Marco, ouve o que dizem em Signa...

Dizem que...

É?

Mas enfim podemos saber...

É o que se comenta em Signa.

O que diacho dizem em Signa?!

Correm rumores... meias palavras...

Disseram ontem à noite ao padeiro Cisti:

“Se Buoso morrer fica aos frades o dinheiro...”

Dirão: “pança minha, vai se encher como nunca”

E um outro: “sim, sim, sim, no
testamento deixou tudo ao convento.”

Mas o que? Quem disse?

Comentam em Signa.

Comentam em Signa?

Comentam em Signa!!!

- Oh, Simone!
- Simone?

Fale, você é o mais velho...

Você foi prefeito de Fucecchio...

O que acha isso?

O que acha isso?

Se o testamento estiver nas mãos de um tabelião...

Quem sabe? Pode ser uma desgraça!

Porém se o tivesse deixado nesta casa...

desgraça para os frades, mas para nós esperança!

Desgraça para os frades, mas para nós esperança!

Oh, Lauretta, meu amor!

Confiemos no testamento do tio!

Não. Não é.

Não. Não está.

- Não. Não é.
- Onde está?

Salvos! Salvos!

Testamento de Buoso Donati.

Tia, eu o encontrei!

Como recompensa, diga-me...

se o tio, pobre tio...

me tivesse deixado bem...

se daqui a pouco fôssemos todos ricos...

num dia de festa como este...

me deixaria desposar Lauretta, a filhinha do Schicchi?

Será mais doce minha herança...

poder desposá-la em primeiro de maio!

- Oh, sim!
- Sim!
- Claro que sim!

Há tempo para falar nisso depois.

Poderei desposá-la em primeiro de maio?

Dê cá, depressa o testamento!

Vê que estamos com os espinhos sob os pés?

Tia?

Se tudo andar bem, despose quem quiser...

ainda que seja a bruxa.

Ah, o tio me queria tão bem...

Terá me deixado com os bolsos cheios!

Corre à Gianni Schicchi!

Diga lhe que venha aqui com Lauretta...

e que Rinuccio do Buoso os espera.

Pegue duas moedinhas, compre alguns docinhos!

“Aos meus primos Zita e Simone!”

Pobre Buoso!

Pobre Buoso!

Merece todas as velas do mundo!

Até o fim se deve queimar! Sim.

Alegre-se! Pobre Buoso!

Pobre Buoso!

Se me tivesse deixado essa casa!

E os moinhos de Signa! E também a mula!

Calados! Está aberto!

Então era verdade!

Nós veremos os frades engordarem...

Nas fuças dos Donati.

Todos aqueles belos florins acumulados...

Acabarem nos bolsos dos frades!

Privar todos nós dos bens...

e os frades se esbaldarem na abundância!

Eu deverei beber a péssima bebida de Signa...

e os frades beberão o vinho da vinha!

Estufarão sob a batina!

Nós explodiremos de raiva a eles... de comer!

A minha felicidade será roubada...

pela obra da Santa Reparata!

Abram as dispensas dos conventos!

Alegres frades afiem os dentes!

Abrimos as portas do mercado!

Estalem a língua com o palato!

Temos pra vocês, pobres frades, tordos gordos:

Codornas tenras!

- Cotovias!
- Perdizes!

-Figos!
- Codornas e gansos engordados!

-Perdizes!
- E frangos!

Frangos? Franguinhos!

Franguinhos bem fresquinhos!

E com as faces vermelhas e bem gordas...

estufem as bochechas de saúde e riam de nós.

Vejam lá um Donati...

Vejam lá um Donati...

e ele queria a herança... riam, oh, frades...

riam nas fuças dos Donati!

Quem diria que quando Buoso fosse para o cemitério...

iríamos chorar de verdade!

E não há nenhum meio...

de mudar isto?...

De contornar?...

Amenizar?...

Oh, Simone, Simone?

Você é o mais velho!

Você foi prefeito de Fucecchio...

Somente uma pessoa pode resolver isto e talvez, talvez salvar...

Quem?

Gianni Schicchi!

De Gianni Schicchi e sua filhinha
Não quero ouvir falar nunca mais!

Bem entendido?

Ele está chegando!

Quem?

Gianni Schicchi!

Quem o chamou?

Eu o mandei porque esperava...

- É mesmo o momento de termos Gianni Schicchi!
- Se subir, eu o faço rolar das escadas!

Você deve obedecer somente a seu pai.

Um Donati casar-se com a filha de um vilão?!

De um roceiro aparecido em Florença!

Aparentar-se com essa gente nova!

Eu não quero que venha aqui!

Não quero!

Estão enganados!

É fino! Astuto...

Cada malícia das leis e dos códigos conhece e sabe.

Motejador!... Zombador!...

Querem pregar uma peça original e rara?

É Gianni Schicchi que a prepara!

Seus olhos astutos lhe iluminam...

Com um riso estranho no rosto

Assombreado pelo seu grande narigão...

Que parece um promontório assim!

Vem da roça? Pois bem! E o que quer dizer?

Parem com estes agouros mesquinhos!

Florença é como uma árvore florida...

que na praça da Sinhoria tem tronco e ramagem...

mas as raízes trazem novas

forças dos vales límpidos e fecundos!

E Florença cresce até às estrelas.

Se elevam palácios sólidos e torres esguias!

O Arno, antes de chegar à foz...

canta, beijando a Praça de Santa Cruz...

e o seu canto é tão doce e tão sonoro

que atrai a si os pequenos regatos em coro!

Assim, desçam vocês, doutores...

nas artes e nas ciências...

a tornar mais rica e explêndida Florença!

E do Vale de Elsa sob os castelos...

bem-vindo seja Arnolfo a fazer a torre bela!

E venha também Giotto do Mugel selvagem,

e o Médici, comerciante corajoso!

Chega de ódios e de despeitos!

Viva a gente nova e Gianni Schicchi!

É ele!

Que aspecto assustado e desolado!

-Lauretta
- Rino

Buoso Donati, certamente melhorou!

Por que está pálido assim?

Ai de mim, o tio...

E então, fala...

Amor, amor, quanta dor!

Quanta dor!

Morreu...

Por que estão a lacrimejar?

Interpretam melhor que a verdade!
Ah! Compreendo a dor de tal perda...

Tenho a alma comovida...

É a perda foi realmente grande!

É são coisas...Mas o que fazer?

Neste mundo uma coisa se perde...

uma se ganha...

perde-se Buoso, mas há herança!

Certo! Para os Frades!

Ah! Deserdados?

Deserdados! Sim, sim, deserdados!

E por isso lhe digo:

pegue sua filhinha e desapareça daqui!

Eu não dou meu sobrinho a uma moça sem dote!

- Oh tia, Eu a amo, a amo!
- Papai! Papai! Eu o quero!

- Filhinha, um pouco de orgulho!
- Não me importa nenhum pouco!

Brava velha! Brava!

Que por um dote sacrifica a minha filha e seu sobrinho.

Brava velha! Brava!

- Velha tacanha! Sovina! Miserável! Sórdida!

- Rinuccio...Não me deixe!

- Você me jurou amor.

- E ainda me insulta!

- Sob a lua de Fiesole me jurou amor, quando me beijou.
- Aquela noite em Fiesole tudo parecia flores.

- Não me deixe Rinuccio.
- Um pouco de orgulho!

- Venha!
- Venha!

- Adeus esperança bela...
- Venha, Lauretta venha. Enxugue os olhos...

- Seria em péssimo casamento...
-Apaga-se toda a sua luz!

-Venha, venha!
-Apaga-se toda a sua luz!

- Não poderemos nos casar em primeiro de maio.

Papai eu o quero!

Justamente agora! Pensem no testamento!

- Velha sovina! Miserável! Sórdida!

Pensem no testamento!

Amor!

Pensem no testamento!

- Não! Não! Não!
- Venha! Venha! Venha!

Senhor Giovanni, fique mais um pouco!

Em vez de berrar, dê-lhe o testamento!

Procure salvar-nos!

Ao senhor não pode faltar uma idéia portentosa...

um achado, um remédio, um recurso, uma solução!

A favor dessa gente?

Nada!
Nada!
Nada!

Oh! Meu paizinho querido...

...eu o amo! É Belo, é belo!

Quero ir à Porta Rossa...

Para comprar um anel!

Sim, sim, eu quero ir!

E se esse amor for em vão...

Irei a Ponte Veccio...

mas para atirar-me no Arno!

Consumo-me e me atormento!

Oh, Deus, quero morrer!

Papai, piedade, piedade!

Papai, piedade, piedade!

Dêem-me o testamento!

Nada a fazer!

Adeus, a esperança bela, doce ilusão!

Não poderemos nos casar no primeiro de maio.

Nada a fazer!

Adeus, esperança bela!

Apaga-se toda a sua luz.

Mas!

Talves nos casaremos em primeiro de maio.

E então?

Laurettinha! Vá ao terraço!

Leve uma migalha para os passarinhos.

Sozinha!

Ninguém sabe que o Buoso bateu as botas?

Ninguém!

Bom!

Ainda ninguém deve sabe-lo!

Ninguém o saberá!

E os servos?

Depois da piora...no quarto...nenhum!

Vocês dois carreguem o morto...

E os candelabros para o outro quarto!

Senhoras! Refaçam o leito!

Mas!

Silêncio! Obedeçam!

Quem pode ser?

Mestre Spinelloccio, o médico!

Tomem cuidado para que não passe!

Digam-lhe qualquer coisa.

Que Buoso está melhor e que repousa.

Com licença!

Bom dia, Mestre Spinelloccio.

Vai melhor!

Vai melhor!

Vai melhor!

Houve melhora?

Certamente!

Que potência é hoje a ciência.

Bem, vejamos, vejamos...

Não, Repousa!

Mas eu...

Repousa.

Não! Não! Mestre Spinelloccio!

Oh! Mestre Buoso!

Tenho tanta vontade de descansar...

Poderia passar novamente esta noite?

Estou quase dormindo!

Sim, Mestre Buoso! Mas, está melhor?

De morto que estava, renasci!

Até a noite!

Até a noite!

Também pela voz percebo: está melhor!

Eh! Comigo nunca morreu um doente!

Não tenho nenhuma vaidade disso

O mérito é todo da escola bolonhesa!

Até a noite! Doutor!

Até a noite!

Estava igual a voz?

Tal e qual!

Ah! Vitória! Vitória!

Na cara o lencinho!

Entre a toquinha e o lencinho...

um nariz que parece o de Buoso e no entanto é o meu!

Porque no lugar de Buoso estou eu.

Eu! O Schicchi, com outra voz e forma!

Eu falsifico em mim Buoso Donati!

Atestando e dando forma ao testamento!

Oh, gente!

Esta louca extravagância...

que me jorra da fantasia...

é tal que desafio...

a eternidade!

Schicchi!

Eu corro ao tabelião!

Marco! Gherardo! Nella! Zitta! Betto!

Schicchi!

Oh! dia de alegria! A burla aos frades é bela!

Schicchi!

Como é belo o amor entre os parentes.

Oh, Gianni, agora pensemos um pouco na divisão:

O dinheiro vivo...

Em partes iguais!

Para mim as terras de Fucecchio.

Para mim as de Figline.

Para mim as de Prato.

Para nós as terras de Empoli.

Para mim as de Quintole.

- Para mim as de Prato!
- E as de Fucecchio!

Restariam ainda:

A mula, esta casa...

e os moinhos de Signa.

São as coisas melhores!...

Ah! Entendo! Entendo!

Porque sou o mais velho...

e fui prefeito de Fucecchio...

querem dá-los para mim!

Eu lhes agradeço!

Não, não, um momento!

Se você é velho, pior pra você!

Vejam só o grande prefeito!

Quer o melhor da herança!

Quanto duro é o amor entre os parentes!

A casa...a mula...os moinhos...
Ficam pra mim! Ficam pra mim!

Souberam de tudo!

Souberam que Buoso morreu!

Tudo por terra!

Papai, você acredita?

O passarinho não quer mais migalhinhas.

Então dê-lhe de beber!

Aconteceu um acidente ao negro...

batizado do senhor capitão...

“Descanse em paz!”

Com relação à casa, a mula e os moinhos...

Proponho confiarmos na justiça e honestidade de Schicchi!

Confiemos em Schicchi!

Como queiram.

Dêm-me as roupas para me vestir!

Rápido! Rápido!

Eis a touquinha!

Se me deixar a mula, esta casa...

e os moinhos de Signa, dou-lhe trinta florins!

Está bem!

Se me deixa a casa, a mula e os moinhos dou-lhe cem florins!

Está bem!

Gianni, se você me deixar esta casa, a mula...

e os moinhos de Signa, entupo-o de quatrins!

Eis o lencinho!

Está bem!

Se nos deixar a mula, os moinhos de Signa...

e esta casa, te abarrotaremos de florins!

Está bem!

E aqui está a camisola!

Se nos deixar a casa, a mula e os moinhos de Signa...

para você mil florins!

Está bem!
- Tire a roupa, garotinho que vamos pô-lo na cama...
- É Belo, grandioso! Quem não se enganará?

- E não faz biquinho...
- É Gianni que se faz de Buoso?

- Se der certo te daremos docinhos...
- É Buoso que se faz de Gianni?

- O testamento é odioso?
- Vamos trocar essa roupinha...

- Um camisolão majestoso, um rosto,
- O ovo gera o frango, a flor o fruto...

- um rosto dorminhoco...
- os frades comeriam tudo...

- um nariz poderoso, e fala lamentosa.
- mas os frades se empobrecem e a Ciesca se enriquece.

E o bom Gianni...

...troca as roupas...

...para poder nos servir!

Muda a cara...

...focinho e ventas...

...para poder nos servir!

- Muda a fala...
-...testamento...

...para poder nos servir!
- Vou servi-los devidamente!

- Bravo!
- Vou fazê-los contentes!

Isso mesmo.

Oh, Gianni, Gianni, nosso salvador!

Oh, Gianni Schicchi, nosso salvador!

Oh, Schicchi!

Oh, Gianni Schicchi, nosso salvador!

É o próprio!

Perfeito!

Para a cama!

Primeiro uma advertência!

Oh, senhores, juízo!

Vocês conhecem os riscos?

“Para quem se coloca no lugar de outro...

em testamentos e legados...

para ele e para os cúmplices...

o corte da mão e depois o exílio”

Lembrem-se bem! Se fossemos descobertos...

Vêem Florença?

Adeus, Florença, adeus, céu divino...

eu a saúdo com esse cotinho...

e vou vaguear como Ghibellino!

Adeus, Florença, adeus, céu divino...

eu a saúdo com esse cotinho...

e vou vaguear como Ghibellino!

Eis o tabelião!

Mestre Buoso, bom dia!

Oh! Estão aqui! Obrigado Mestre Amantio!

Oh! Pinellino sapateiro, obrigado!

Obrigado Guccio pintor!

Muito bom, muito bom que vieram...

Pobre Buoso! Eu sempre o calcei...

Vê-lo neste estado... me faz chorar!

O testamento desejaria escrevê-lo...

de meu próprio punho...

impede-me a paralisia!

Por isso quis um tabelião insigne e leal...

Oh! Mestre Buoso, obrigado!

Então está sofrendo de paralisia?

Pobre Buoso!

Oh! Pobrezinho! Basta!

As testemunhas já viram...

“testes viderunt”!

Podemos começar...mas...os parentes?

Que permaneçam!

Então começo:

“Em nome de Deus, ano mil duzentos e noventa e nove da redentora reencarnação de Jesus Cristo...

dia primeiro de setembro, décima primeira tributação extraordinária...

eu, o tabelião Amantio de Nicolau, cidadão florentino...

por vontade de Buoso Donati, redijoaqui o testamento...”

“Anulando, revogando e invalidando...

qualquer outro testamento.”

Que previdência!

Um preâmbulo.

Diga-me...

os funerais? (o mais tarde possível)...

Deseja-os ricos? Faustosos? Dispendiosos?

Não, não, não...

Pouco dinheiro!

Que não se gaste mais de dois florins!

Oh, que modéstia!

Que coração!

Confirma-se a sua honra!

Deixo aos frades menores e à obra de Santa Reparata...

Cinco libras!
Bravo! Bravo!

É preciso pensar sempre na beneficência!

Não lhe parece um tanto pouco?

Quem se estrepa e deixa muito aos frades...

faz, aos que ficam, dizer:

“Era dinheiro roubado!”

Que máximas!

Que mente!

Que sabedoria.

Que lucidez!

O dinheiro vivo deixo-o...

em partes iguais, para os parentes.

Oh, obrigado tio!

- Obrigado, primo! – Obrigado, cunhado!

Deixo a Simone, os bens de Fucecchio!

Obrigado!

Para Zita, as posses de Figline!

Obrigada, obrigada!

Para Betto os campos de Prato...

Obrigado, cunhado!

Para Nella e Gherardo os bens de Empoli!

Obrigado, obrigado!

Para Ciesca e Marco, os bens de Quintole!

Agora vamos à mula, a casa e os moinhos!

Deixo a mula, aquela que custa trezentos florins...

que é a melhor mula da Toscana...

Ao meu devoto amigo...

Gianni Schicchi.

- Como? - Como? - Como?

“Mulan relinquit eius amico...

devoto Joani Schicchi!”

E a que importa a Gianni Schicchi aquela mula?

Fique bonzinho, Simone!

Eu sei bem o quer Gianni Schicchi!

Ah! patife, patife, patife!

Deixo a casa de Florença ao meu caro...

devoto e afeiçoado amigo...

Gianni Schicchi!

Ah! Chega, Chega! Raios o partam.

Patife...Nós protestamos...nos rebelamos!

Adeus, Florença, adeus, céu divino, eu a saúdo...

Que não se perturbe a vontade do testador!

Mestre Amantio, eu deixo os bens a quem quero!

Tenho em e mente um testamento e ele será cumprido!

Se gritam, estou calmo cantarolando...

Ah! – Que homem! – Que homem!

E os moinho de Signa...

Os moinhos de Signa...

Os moinhos de Signa...(adeus, Florença!)

deixo-os ao mesmo caro e afeicionado amigo!

(E a saúdo com este cotinho!)

Está feito!

Zita, da sua bolsa dê vinte florins às testemunhas...

e cem a bom tabelião.

Mestre Buoso! Obrigado!

Nada de despedidas! Vão agora.

Sejamos fortes.

Ah que homem, que homem.

Que pecado!

Que perda!

Coragem!

Coragem!

Ladrão!

Ladrão! Ladrão! Patife! Safado! Traidor!

Tratante! Canalha! Ladrão! Velhaco! Traidor!

Cambada de sovinas! Fora daqui!

A casa é minha!

Saqueiem! Saqueiem!

Saqueiem! Saqueiem!

A casa é minha!

Saqueiem! Saqueiem!

A casa é minha!

Saqueiem! Saqueiem!

Fora! Fora!

Minha Lauretta, estaremos sempre aqui!

Olhe...Florença é de ouro!

Fiesole é bela!

Lá você me jurou amor!

Pedi-lhe um beijo...

O primeiro beijo...

Trêmula e pálida! Você virou o rosto...

Florença de longe nos parece o paraíso!

Os salteadores fugiram!

Digam-me senhores...

Se o dinheiro de Buoso poderia terminar de melhor maneira!

Por esta extravagância jogaram-me no inferno...

Que assim seja!

Mas, com licença do grande pai Dante,

se esta noite divertiram-se

concedam-me...

o atenuante!

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